Quando voltamos pra casa já se passava das seis da tarde, todo mundo sujo cheirando a peixe. Que tenso. Luan quase dormiu no meu ombro no carro, chegamos em frente a nossas casas.
_Foi muito bom. - apertei a mão de Luan.
_Bom demais da conta rapaz. - ele riu.
_Não esquece da lição de história.
_Por que você não faz? - ele cruzou os braços.
_Porque meu melhor amigo é o nerd da sala, então vai ter que me ajudar. - sorri sapeca.
_Ajudar ou te passar a cola? - colocou o braço sobre meu ombro e me olhou sabichão.
_Você entendeu né. - risos.
Entrei pra minha casa e Luan pra dele, corri pro banheiro e tomei um banho pra tirar toda aquela sujeira. Mais a noite Luan me trouxe a lição de história. Vou ficar devendo ele.
Passei a noite fazendo aquele punhado de exercícios, essa professora queria ferrar a gente, só pode. Acho que só passei de ano por causa do Luan. Valeu moleque!
[...]
Meu despertador tocou, ai não creio que já é segunda-feira. Levantei igual um zumbi e fui no banheiro, fiz as higienes e coloquei minha farda, ou uniforme, assim seja. Uma calça jeans e amarrei meu cabelo de coque. Nem passei nada de maquiagem, tava com preguiça.
Fui pra cozinha e tomei café, meu pai já já sairia pro trabalho, peguei minha mochila e despedi dos meus pais e fui para o ponto de ônibus.
_Chegou cedo. - Luan chegou até mim e se sentou ali no chão comigo.
_Pois é. Odeio escola, mas fazer o que né. - sorri de lado.
Em poucos minutos nosso ônibus escolar chegou, subimos e sentamos no último banco. Luan era mais popular com a galega, já eu ficava na minha.
Chegamos na escola e eu já fui pra sala, me sentei no fundão como sempre. Luan ficou lá fora conversando com outros amigos. Luciano um amigo nosso, veio até mim.
_E ai Luna, tudo certo? - sentou na cadeira de frente a mim.
_Tudo sim cara, o que manda?
_Hoje a gente sai mais cedo, que tal umas músicas pra animar na hora da saída? - sabia onde ele queria chegar.
_Não trouxe meu violão viu? - sorri.
_Eu trouxe o meu, eu e o Luan canta e você toca. Vai ser legal.
_Firmeza então. - demos um toque de mão.
Tocou o sinal e cada um sentou em seu lugar. Mandei um bilhete pra Luan falando sobre a hora da saída, ele aceitou na hora. Ele adorava cantar. Sua voz não deixava a desejar, acredito que um dia ele ainda seja um grade cantor, igual o Zezé, como ele dizia.
As aulas se passaram arrastando, mas logo bateu o sinal da última aula, pelo menos hoje saímos mais cedo.
_Bora galera? - Luciano chamou.
Nos sentamos no meio fio da rua, Luciano me deu seu violão e dei uma afinada. Tudo certo, os dois começaram a cantar Telefone Mudo, eu os acompanhei nas notas musicais. Luciano também cantava muito bem.
O pessoal da escola passava e comentava, alguns até gostavam, outros caçoavam. Mas sempre tinham aqueles que apelavam, uns moleques passavam e jogavam restos de comidas e moedas, nos chamavam de mendigos. Riam da nossa cara, nos tirava a paz. O semblante de Luan ficou bem triste, não viu a hora que o ônibus chegou.
_Aqui cara. - entreguei o violão pro Luciano e subi no ônibus.
Sentei ao lado dele que estava em silêncio, fomos assim pra casa. Quando descemos, segui ele e o parei no portão da sua casa.
_Luan espera! - o chamei.
_Fala. - ele se virou pra mim sério.
_Não fica assim cara, não liga pra o que dizem. - tentei anima-lo.
_É difícil sabia? Eu vivo sonhando com uma coisa que talvez seja só ilusão. Eu amo cantar, mas será que é esse o meu futuro? - se sentou na calçada, me sentei ao seu lado.
_Talvez seja, como você mesmo disse, é talvez. Sem certeza. Você ainda vai conquistar esse país, um grande cantor e eu - coloquei a mão sobre seu ombro - Serei sua assessora de imprensa. Pode apostar.
_Só você mesma pra me animar - ele sorriu e eu retribui o sorriso - Você é uma amigona.
Ele me abraçou forte me dando um beijo no rosto. Me soltei dele e limpei o rosto.
_Ai que nojo - falei rindo fazendo careta - Sem beijo por favor.
_Ah marrenta - risos.
CONTINUA...
Vai ter uma passagem de tempo no próximo capítulo. Espero que estejam gostando. Beijos!
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