terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Amizade Colorida - 7



  Contei a minha mãe que ficou extremamente feliz, mas me deu vários sermões, tudo bem eu mereço. Mas o que importa é que eu consegui, que felicidade cara. Mas enquanto não chega essa semana eu me contento em sossegar, se eu conseguir.

  Era umas quatro da tarde quando batem a minha porta, sai do quarto e abri a porta. Tomei o maior susto.

  _Vitor! - pulei no colo dele e abracei forte meu amigo, deu pra perceber que só tenho amigo homens?
  _Luna minha menina, quanto tempo - beijou meu rosto.
  _Vem entra.

  Puxei ele pela mão e sentamos no sofá. Vitor foi a primeira pessoa que fiz amizade aqui em sampa, ele é um fofo, bonito também. Era moreno de cabelo arrepiadinho e forte, mas na medida certa. Ele é filhinho de papai, rico, mas nem um pouco metido. Posso até dizer que ele é um verdadeiro cavaleiro, longe do Luan foi ele quem me consolou.
  A gente acabou ficando algumas vezes, mas não quis prolongar, apesar que ele nunca escondeu que gosta de mim. Mas em fim, a um ano ele viajou pra Bélgica, o cachorro me deixou, mas disse que voltaria e que viria me visitar e cumpriu.

  _Que saudade fiquei de você - me abraçou me colocando em seu colo, ele me tratava como um bebê.
  _Eu também, porque não avisou que estava chegando?
  _Queria fazer uma surpresa - sorriu, e que pelo sorriso.
  _E conseguiu  - falei botando a mão no coração que pulsava rápido.
  _Agora eu sou médico - disse se gabando.
  _Hum metido, e eu semana que vem vou fazer um estágio como assessora. E detalhe é de um cantor famoso.
  _Do Luan Santana? - supôs.
  _Como você sabe?
  _Só adivinhei, ele é seu amigo né.
  _É sim, mas não sei se ele ainda lembra de mim.
  _Impossível te esquecer - ele riu.
  _Bobo, mas vai conta tudo.

  Me ajeitei no sofá e Vitor contou tudo o que aconteceu nesse tempo lá fora. Me senti mais alegre com ele ali, ele era muito alto astral e minha ansiedade foi esquecida. Vitor passou a tarde toda lá, até a hora da minha mãe chegar. Quando ela o viu ficou mega feliz, mimou ele mais do que eu. Mãe to com ciúme viu?

  Ele se foi prometendo voltar. E veio mesmo, todos os dias vinha me visitar. Fazíamos a maior bagunça. Ia me esquecendo, Dagmar me ligou e pediu que eu arrumasse as malas, porque teríamos várias viagens, cara eu iria conhecer várias cidades em uma semana, muito foda.
  Já arrumei minhas coisas, mas não levei muita coisa, só o necessário.

[...]

  _Pegou tudo filha? Tem certeza que não esqueceu de nada? - minha mãe me fazia um interrogatório antes de viajar.
  _Peguei mãe, fica tranquila, ta tudo certo. É só uma semana.
  _Se cuida meu amor, e boa sorte. - beijou minha testa.
  _Obrigado mãe. - sorri e a abracei, nunca fiquei tanto tempo longe dela.

  Peguei um táxi e fui até o endereço do hotel que ela havia me passado, cheguei em frente e o lugar era imenso. Isso que é um hotel.
  Entrei e fui até a recepção.

  _Olá, bom dia. Posso ajuda-la? - disse uma moça.
  _Sim, eu vim conversar com a Dagmar Alba. Ela está me esperando.
  _Só um instante - ela ligou pro quarto da Dagmar - Ela pediu que a senhora a encontre no restaurante do hotel, é só virar a esquerda.
  _Ah, obrigada. - sorri.

  Fui para lá e me sentei numa mesa que dava pra avistar tudo. Em cinco minutos ela apareceu e veio até mim. Me levantei.

  _Oi - sorri.
  _Olá Luna, seja bem vinda.
  _Obrigada.
  _Venha vou te apresentar o pessoal.

  A segui e fomos andando por um corredor, indo até uma sala.  Quando entrei vi várias pessoas com a camiseta da equipe.

  _Galera essa é a Luna, a nova assessora que vai me ajudar. Ela terá um semana de teste, se tudo der certo, ela fica. - disse Dagmar me apresentando. Sorri tímida estralando os dedos
  _Oi - acenei com a mão.
  _Oi, seja bem vinda! - todos disseram.
  _Vou lhes apresentar - falou Dagmar - Esse é Roberval, secretário particular do Luan. - era um cara baixinho e gordinho, de testa grande.
  _Essas são Marla e Daiane. Backing Vocal da banda. - apontou pra duas moças, uma morena e uma loira.
  _Esse é o Valdemir, ou Marreta como todo mundo conhece - risos - Juliano Ferro; Fernando Baron; Paulo Henrique, o Peixe.
  _Quantos apelidos - disse rindo com todo mundo.
  _E o Paulinho Pinto. Essa é a banda. E tem a equipe técnica, mas esses você vai conhecer na hora do show hoje a noite.
  _Ok. - assenti com a cabeça.
  _Esse é o Gutão, personal do Luan - Jesus, que gato.
  _E cadê o Luan? - olhou para Roberval e ele só sacudiu os ombros em sinal de 'sei lá'.

  Ta eu confesso que estava louca pra ver ele, saber como ele estava, coisas que a saudade faz.

  _Desculpa a demora gente. - ouvi sua voz vindo da porta atrás de mim. Foi como se uma brisa gostosa tocasse minha pele.
  _Até que fim a noiva chegou - Roberval zuou com ele. Ri lembrando de quando eu brincava também com o Luan.
  _Ih fica quieto aí testa. - risos - Cadê a moça? - perguntou pra Dagmar.
  _Ali - ela apontou pra mim e me virei pra ele.

  Quando botei meus olhos nele de imediato sorri. Cara como ele ta diferente, mais alto do que eu até. Seu cabelo agora era todo arrepiado, com um corte mais moderno. Ele vestia uma calça escura e uma camiseta azul clara apertada, mas também, ele tava forte. Que diferença, ele era bem mais magrelo, mas ta bom assim.

  _Oi, tudo bom? - sai dos pensamentos e o cumprimentei.
  _Oi linda, to bem e você? - ele veio até mim e me deu um abraço. Cheiroso.
  _To bem também - sorri.
  _Essa é a Luna, Luan. - disse Dagmar.
  _Prazer em conhece-la. - É, pelo jeito ele não se lembra de mim.
  _Prazer é meu.

  Tiveram uma pequena reunião, falando sobre o show de hoje no interior do estado. Logo chegou Anderson, empresário do Luan. Eu fiquei num cantinho observando tudo, já que ainda não sabia de nada. Eu sempre olhava para Luan, ele não tinha uma espinha na cara, e isso não é de hoje, desde os tempos de escola sua pele sempre foi um bumbum de neném. Que inveja.
  Não sabia ao certo se ele era o mesmo, sinto que sim, mas vamos aguardar. Aliás eu conto ou não conto que sou sua velha amiga? Acho melhor não, ele deve que nem lembra mais da gente.

  Todos foram para seus quartos, peguei minhas chaves e subi também. Cheguei no andar e procurava pelo número do meu quarto. Olhava distraída pras portas e nem vi que ele estava no corredor.

  _Perdida? - perguntou rindo. Dei um pulo de susto.
  _É... er. Eu to procurando meu quarto. - respondi com dificuldade ainda pelo susto.
  _Desculpa não queria te assustar - Luan sorriu e se aproximou, pegou minha chave e olhou o número. - Seu quarto é do lado do Gutão.
  _Sério? - Fala sério que sorte hein, será que esse Gutão ta solteiro? Ta, parei - E onde é o quarto do Gutão?
  _Do lado do Rober - ele riu, fomos andando pelo corredor.
  _E onde é o quarto do Rober?
  _De frente ao meu.
  _E onde é o seu? - caímos na risada pela sequência de pergunta.
  _Logo ali. - apontou pra uma porta e logo vi o número do meu quarto.
  _Ah achei. Só eu de mulher aqui no meio? - fiz careta.
  _É - riu - O da Dag fica lá no fim do corredor.
  _Ok, valeu pela ajuda. - sorri e fui indo pro quarto.
  _Espera! - ele me chamou e eu me virei - Você não me é estranha.

  Ele ta se lembrando de mim? Isso mesmo? Glória ao Pai!

  _Ah, acho que você me conhece sim - sorri me encostando na porta.
  _Te conheço? - ele passou a mão na nuca e juntou as sobrancelhas.
  _Aham, to meio diferente. Mudei um pouco as roupas. Mas sem dúvida acho que se lembra de uma garota que era sua vizinha e melhor amiga. Nossos pais trabalhavam juntos no banco e bom - parei pensando na morte do meu pai, sacudi a cabeça afastando os pensamentos - Acho que não vai se lembrar.

  Ele me olhava parado, sem esboçar nenhuma reação. Ta na cara que ele não se lembra. Dei um sorriso sem graça e abri a porta do meu quarto.
   De repente alguém me agarrou me levantando pro alto. Nem deu tempo de gritar. Olhei direito e era o Luan. Aí meu Deus!



  _Luninha é você mesma cara? - Luan me pôs no chão me abraçando forte. Senti meus ossos estralarem.
  _Achei que não ia se lembrar de mim. - disse com lágrimas nos olhos.
  _Nunca te esqueci em nenhum momento. Mas você ta tão diferente, nem te reconheci. - ele me olhou.
  _Você também - ri.
  _Vem cá.

  Ele me puxou pro seu quarto, fechou a porta e me abraçou forte novamente. Ficamos um longo tempo só assim, matando a saudade.

  CONTINUA...

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