sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Amizade Colorida - 18


Luan narrando:
  A claridade do sol passava entre as cortinas, fiquei incomodado com a luz e abri os olhos. Pelo jeito já é tarde. Olhei ao meu lado e vi Luna dormindo, tão serena, a pele branquinha, os lábios grossos e vermelhos por natureza e os cabelos escuros caídos sobre o rosto. Com cuidado retirei uma mecha de seu cabelo da face, Luna se mexeu um pouco, mas não acordou.
  Fiquei deitado a observando por alguns minutos. Meus pensamentos giravam em torno do que ela me disse ontem, dormi com aquela dúvida. Luna apaixonada? Como assim?
  Não é nada demais, mas esse cara deve ser muito especial mesmo, fez com que Luna amasse pela primeira vez . Ela que sempre teve pavor do amor, agora está entregue a ele. Sei lá, ta estranho.
  Tenho receio dela me deixar de lado, como vem fazendo esses dias. Não brinca mais comigo, não fala besteira, um pouco distante, nem é mais risonha como antes. Luna ta sofrendo, é ela ta sofrendo com isso. Se esse caboclo fizer minha Luninha derramar uma lágrima ele vai ter que se ver comigo.
  Sai dos pensamentos quando Luna começou a se mexer na cama acordando. Fiquei a olhando, ela abriu os olhos, olhou pra mim e sorriu.
  _Bom dia - disse me sentado.
  _Bom dia - bocejou e espreguiçou.
  _Dormiu bem?
  _Aham - sorriu - Quantas horas?
  _Deixa eu ver - peguei o celular, na tela havia uma mensagem da Jade, depois eu respondo - São 10:45.
  _Nossa senhora - ela se sentou rápido passando a mão no cabelo.
  _Que foi? - perguntei rindo.
  _Você pode dormir até tarde, eu não. Tenho que trabalhar, hoje tem matéria pro fantástico e show.
  _Fica aqui mais um pouco.
  _Não - ela riu e se levantou.
  _Vorta pra cá trem - a segurei pela cintura e a puxei de volta pra cama.
  _Para Luan me solta. - pediu rindo pelas cócegas que a fazia.
  _Só paro se você me falar uma coisa - disse a olhando.
  _O que? - foi parando de rir e se sentou.
  _Você, ta sofrendo com esse amor? - ela baixou o olhar.
  _Luan não quero falar sobre isso. - disse abraçando os joelhos.
  _Desculpa, é que to preocupado. Não gosto de te ver assim - segurei seu rosto entre minhas mãos.
  _Agradeço pela preocupação - sorriu tímida colocando suas mãos sobre as minhas. Senti uma sensação estranha.
  _Sempre conta comigo. E promete não me trocar por esse amor ai? - fiz bico e ela riu.
  _Besta - apertou meu nariz - Você é insubstituível, te adoro. Você é especial pra mim.
  _Você também - a olhei no fundo dos olhos. Fiquei assim por alguns segundos, não conseguia desviar o olhar.
  _Bom, é melhor - Luna ficou sem jeito - Você ir pro seu quarto se arrumar.
  _Ta, ta. Eu vou nessa - lhe dei um beijo na testa e sai.
  Entrei no meu quarto e fechei a porta, respirei fundo e passei a mão na cabeça confuso. Minha cabeça ta uma bagunça.
  Entrei no banheiro e tomei um banho demorado, deixando as gotas de água descerem pelo meu corpo. Sai e me sequei, me arrumei rápido para fazer a matéria, peguei meu celular e havia mais uma mensagem de Jade, dessa vez respondi.
  Sai do quarto e encontrei Testa e Cirilo me esperando impacientes, demorei tanto? Coloquei um óculos e descemos até o hall do hotel. Olhei de longe e vi Luna conversando com Dada, ela sorria, involuntariamente sorri também.
  _Bora galera! - disse chegando perto da equipe de filmagens.
  Luna acertou minha roupa e tal. Começamos a gravação, o fantástico estará comigo acompanhando minha turnê pela Europa. Fomos andando pela cidade de Lisboa, tudo naquela cidade é fascinante. Eu mesmo que narrava minha ida a Europa, nesse dia dei entrevista para uns programas portugueses, e em todos minhas fãs estavam presentes.
  Fomos também para um local onde é tocado o fado, uma música bem típica de Portugal. Uma moça cantava e um rapaz a acompanhava com uma guitarra portuguesa.
  Me arrisquei em falar português de Portugal, mas não deu certo e a moça acabou rindo de mim (risos). Mas ela me explicou direitinho e rapidamente já sabia falar como os portugas, dei até uma palhinha de Te Vivo nesse sotaque. Foi massa.
  Continuamos a matéria até o anoitecer, jantamos num restaurante que serve comida japonesa aqui em Lisboa, dali corremos para o hotel e nos arrumamos para a noite de show. Seguimos para o local do show, pelo jeito estava lotado.
  _Caramba cara, quanta gente. - disse olhando pela janela da van.
  _Tem mais de dez mil pessoas ai dentro, os ingressos estão esgotados. - Luna disse sorrindo.
  _Que demais hein cara?
  _É demais - ela riu.
  Nos bastidores do show havia umas fãs minhas portuguesas que o fantástico trouxe pra me conhecer, só que elas não sabem. Acham que é só uma entrevista pra matéria.
  Todas estavam de costas, e não perceberam eu chegando, fui andando devagar até chegar até elas.
  _Deixa eu participar dessa festa aqui também uai. - gritei e elas se assustaram e correram para me abraçar.
  Foi choros, abraços, fotos. É muito bom receber esse carinho todo, eu tenho os melhores fãs sem dúvida.
  Já estava quase na hora do show, fui para o camarim, mais algumas entrevistas, Luna e Dag ficavam ali acompanhando, não conseguia tirar os olhos de Luna. Não sei o que deu em mim.
  A hora é agora, eu e a banda fizemos a oração, todos foram para seu lugar no palco, coloquei meu microfone e fui para atrás do palco. Luna me desejou boa sorte, agradeci. Começou o texto de abertura e logo em seguida a música. Na último toque entrei correndo e vi aquele mundão de gente, senti um arrepio percorrer minha espinha, foi tudo maravilhoso.
  Me emocionei em cada música, eles tinham todas elas na ponta da língua, cartazes, presentes, carinho. Quando eu for embora vou levar um pedacinho desse país tão lindo comigo no coração.
Alguns dias depois...
  _Luan já arrumou tudo? - Luna me apressava.
  _Carma to indo, você ta pior que a Tinhosa. - disse rindo. Estamos indo para Londrina, tenho uns três dias de folga em casa.
  _Você ainda não viu nada. - ela riu sapeca.
  Ainda estávamos em Portugal, mas logo pisamos em solo brasileiro. Não contei, ganhei um disco de ouro aqui em Portugal, tudo graças aos meus fãs cara.
  Pegamos um avião e embarcos de volta pra casa, todo mundo dormiu no avião, tamanha canseira. Só eu e Luna ficamos acordados. Nesses dias ela voltou digamos, ao normal, agora ta mais alegre, voltou a falar comigo como antes. To muito feliz com isso.
  Depois de horas pousamos em São Paulo, para Luna tava ótimo porque ela já ta em casa, eu ainda tinha que pegar o jatinho e ir pra Londrina. Foi ai que tive uma idéia de última hora.
  _Gente bora pra um churrasco la em casa esse final de semana? - gritei e eles olharam pra mim.
  _Vamos né galera? - Disse Juliano.
  _Opa! - todos concordaram, só Luna que não disse nada.
  _Você vai Luna? - perguntei.
  _Acho melhor não, ficar em casa.
  _Vamos por favor, leva sua mãe, faz tanto tempo que minha família não vê vocês - quase me ajoelhei pra ela aceitar.
  _Ta certo. Não precisa chorar ta? - ela riu e deu um tapinha em meu ombro.
  _Te espero lá.
Luna narrando:
  Finalmente em casa, obrigado Senhor. Essas semanas foram muito corridas, cheguei em casa e minha mãe me esperava no portão com os olhinhos cheios d'água. A abracei forte pra matar aquela saudade louca. Fiquei o dia todo com ela contando sobre os países la fora, cada detalhe.
  _E ah - disse me lembrando - Luan nos chamou pra ir pra casa dele esse final de semana, num churrasco.
  _Claro, vamos sim. Faz tanto tempo que não vejo Marizete.
  _Pois é, então temos que arrumar umas coisas pra ir pra Londrina.
  _É pra já.
  Minha mãe saiu toda alegre com o convite, vai ser bom pra ela, minha mãe vive muito sozinha, trabalho e casa, casa e trabalho. Nem tem amigas.
  Mandei um sms para Luan dizendo que iríamos. Ele respondeu dizendo que será no sábado, hoje ainda é sexta, dá tempo. Ajudei minha mãe a organizar umas coisas, sorte que final de semana ela não trabalha.
[...]
  Chegamos em Londrina e minha mãe tava que não se aguenta de ansiedade para ver Marizete e Amarildo novamente. Fomos para um hotel bem simples, deixamos nossas coisas la, e que são bem poucas, pegamos um táxi. Dei o endereço ao taxista, demorou um pouquinho mas logo chegamos.
  Na portaria do condomínio disse meu nome e o senhor autorizou nossa entrada. Eu e minha mãe fomos andando, fiquei até com medo de me perder dentro daquele condomínio enorme. Mas logo avistei a casa de Luan, na frente haviam vários carros, era ali mesmo, e tava um calor que só por Deus.
  Minha mãe tocou a campanhia e em segundos uma garota de cabelos compridos e mechas californianas atendeu. Era Bruna, meu Deus como ela cresceu, a cara do irmão.
  _Bruna? - minha mãe disse.
  _Tia Paula - Bruna abraçou forte minha mãe - Que saudade.
  _Eu também menina, como você ta grande. - minha olhou maravilhada para Bruna.
  _Luna! - Bruna quase gritou e pulou em mim - Que saudade menina.
  _Eu também Bruna - me soltei e a olhei - Quando te vi da última vez você era uma menininha.
  _Verdade - minha mãe concordou.
  _E você ta um mulherão - ela riu - Vem, entrem aqui.
  Entramos na casa, é linda, grande mas simples, veio um cachorrinho perto de nós, era o puff, lindo mas bravo. O pessoal estava la no fundo da casa. De repente Amarildo e Marizete entraram na sala.
  _Paula!
  _Marizete! - minha mãe e Dona Marizete se abraçaram como duas amigas adolescentes. Uma felicidade sem fim.
  _Amarildo quando tempo. - o cumprimentei.
  _Oh minha filha tudo bom? Nossa como cresceu. Como tempo passa não é mesmo?
  _Pois é, mas parece que você, dona Marizete e a mamãe tomaram chá da juventude, continuam os mesmos - risos.
  _É difícil cuidar desse meninos - Marizete olhou pra Bruna.
  _Nem vem mãe - ela riu - Vem Luna, deixem eles colocarem o papo em dia.
  Bruna me puxou pela mão e fomos para a aérea da piscina. Senti o cheiro de churrasco, chegamos e la estava toda equipe e banda. Alguns na piscina, outros na roda de viola, uns só na cerveja. E Luan sentando com Jade aos beijinhos, engoli seco e suei frio.
  _Luna quero te apresentar, esse é o Rafael, meu namorado - era um rapaz jovem, estava molhado.
  _Prazer em conhece-lo - apertei sua mão.
  _Prazer, Luan me falou de você. - sorriu simpático.
  _Rafa você ta todo molhado - disse Bruna.
  _Desculpa tava brincando de vôlei na piscina com a galera - olhei para a piscina e estava Guto, Max, Rober e uns amigos da família que não conhecia.
  _Eu vou la depois, quer brincar também Luninha? - perguntou Bruna.
  _Não, não quero não, e eu também nem trouxe biquíni.
  _Ah, eu te arrumo.
  _Sério não precisa.
  _Tudo bem então - sorriu.
  Ficamos conversando e logo fui para a roda de viola onde estavam Fernando, Marreta, Marla e Day. Paulinho, Pexola e Juliano estavam em outra mesa bebendo animados, fiquei conversando com a galera.
  Logo vi Luan sair com Jade para o rumo estavam seus pais e minha mãe. Pela porta de vidro os vi conversar, voltei minha atenção para os meus amigos.
  _Nem foi falar comigo né Luninha - ouvi Luan falando atrás de mim.
  _Oi Luan, desculpa - me levantei e sorri o cumprimentado.
  _Seja bem vinda, eu fui falar com sua mãe. Ela tava com a mamusca e meu pai conversando.
  _Ah é, estão pondo o papo em dia - Vi Jade ao lado de Luan - Oi Jade, tudo bom?
  _Tudo sim - demos um aperto de mão - Gostando do churrasco?
  _To, muito legal - sorri de lado.
  _Então vamos brincar de vôlei na piscina? - Luan sugeriu.
  _Ah não amor, to afim não. Vou me sentar ali, fica comigo? - disse Jade segurando no braço de Luan. Oi gente to segurando vela aqui, sabia?
  _Ah não, pode ir lá. Eu quero jogar - Luan deu um selinho nela e Jade saiu. Acho que vou vomitar - Bora jogar?
  _Não to afim - respondi.
  _Ocê também Luna? O que deu nessas muié hoje? - Luan disse cruzando os braços bravinho.
  _Ficou bravo é bebê? - segurei seu rosto com uma mão zuando com sua cara.
  _Idiota - tirou minha mão de seu rosto e eu ri.
  _Eu não tenho biquíni por isso não vou jogar ta?
  _Por isso? - deu os ombros - A Bruna te arranja um.
  _Não precisa, não quero incomodar - respondi.
  _Que mané incomodar, vem.
  Saiu me empurrando pro lado de Bruna.
  _Piroca arruma um biquíni pra Luna.
  _Não prec... - Luan tapou minha boca e não me deixou falar.
  _Ta bom Luan - Bruna riu - Vem Luna.
  A segui, subimos para seu quarto, que é lindo.
  _Bruna sério não quero incomodar. Tem problema não, eu nado de short. - disse sem jeito com medo dela ficar brava.
  _Luna! Relaxa, tem problema não linda. Vem deixa eu te procurar um biquíni - foi procurar no seu guarda-roupa.
  Ela veio com um biquíni branco de bojo e de laço na calcinha do biquíni, lindo.
  _Foi o maior que encontrei - ela riu - Você tem mais corpo que eu.
  _Bom, vou experimentar.
  Entrei no banheiro e coloquei o biquíni, de fato ficou um pouco pequeno, mas deu certo. Sai do banheiro e Bruna também já havia colocado biquíni. Ela também me emprestou uma canga, descemos e fomos para a piscina.
  Quando cheguei parece que todos os olhares se voltaram pra mim, fiquei super sem graça, acho que não foi uma boa ideia. Luan me olhava estático de cima a baixo. Ele já estava sem camisa e de bermuda branca, perdi o ar.
  _Que isso hein Luna? - gritou Gutão da piscina. Fiquei vermelha de vergonha.
  _Valeu - agradeci tímida.
  _Entra logo na água - Chamou Roberval.
  Eu e Bruna pulamos na piscina. Eram as mulheres contra os homens.
  Começamos o jogo, na época do colegial eu amava jogos e pelo visto não perdi o jeito. Nosso time estava ganhando, os rapazes estão morrendo de raiva.
  Era momento de Guto sacar, meu biquíni na parte de cima estava se soltando, me distraí para amarrar e quando voltei o rosto para frente a bola veio bem na minha cara.
  _Luna! - Bruna veio rápido pro meu lado.
  _Ai. - reclamei de dor.
  Coloquei a mão no rosto, tava ardendo pra caramba, meu olho enxeu de água.
  _Cara qual seu problema? - Disse Luan bravo - Pra que jogar com essa força?
  _Desculpa foi sem querer - Guto se desculpava.
  _Gente! - gritei - Eu to bem, ta legal?
  _Luna seu nariz ta sangrando - botei a mão no nariz e olhei pra ela que estava com sangue.
  _Droga! - reclamei, tava sangrando muito.
  _Olha isso Guto! - Luan dizia alto quase gritando, todo mundo parou pra olhar, que vergonha, olha a bagunça que to causando.
  _Já disse que foi sem querer Luan.
  Luan nem quis saber veio pro meu lado e segurou meu rosto.
  _Vem comigo.
  Nem deu tempo de reclamar, Luan me pegou no colo e saiu comigo da piscina subindo as escadas. Entrou em seu quarto e me pôs na cama.
  _Olha isso to molhando tudo aqui - disse me levantando.
  _Senta - ele me segurou para sentar novamente.
  Foi até o criado e pegou uma malinha se primeiros socorros, colocou um algodão em meu nariz para estancar o sangue. Fiquei um tempo com a cabeça pra cima e o algodão no meu nariz, Luan só me olhava.
  _Parou agora - tirei o algodão e vi que não sangrava mais.
  _Tem certeza? Você ta bem? - perguntou Luan preocupado.
  _To, eu to sim - respondi respirando fundo me recuperando do susto - Agora faz um favor?
  _O que você quiser - respondeu prontamente.
  _Pede desculpa pro Gutão.
  _Eu não. Foi ele que fez isso com você. - Luan disse sério andando pelo quarto.
  _É sério Luan - fui até ele - Não foi sua culpa, eu que me distraí, ele não teve culpa.
  _Luna - respirou fundo com raiva.
  _Luan, por favor. - pedi e ele ficou de frente a mim.
  _Ta, eu faço isso. Mas é porque você ta pedindo.
  _Obrigada.
  O abracei agradecendo, ele correspondeu me apertando contra seu corpo que mesmo molhada com a água estava quente. Comecei a me soltar dele, mas Luan ainda me segurava forte pela cintura.
  Senti sua respiração em meu pescoço, arrepiei e meu corpo amoleceu. Sua mão foi para minha nuca segurando debaixo dos meus cabelos. Luan me olhou nos olhos e depois minha boca, coloquei minha mão em seu peito tentando me soltar, não posso deixar isso acontecer, por mais que meu coração grite por isso, meu cérebro diz que não.
CONTINUA...
  Eitaaaa, será que rola? É impressão minha ou Luan ficou mexido com a confissão de Luna? 

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