quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Amizade Colorida - 29


Luan narrando:
  Vocês já sentiram a sensação que a sua vida está pela metade? E que nada pode preencher esse vazio? É o que eu to passando.
  Parece que um buraco negro se abriu debaixo dos meus pés, a ficha não caiu cara. A Luna cara, a minha menina, a mulher que eu amo, numa cama de hospital e em coma. O que vai ser de mim sem ela meu Deus?
  Chorei tanto que nem tinha forças pra falar, passei horas ali sentado no sofá só pensando em como vai ser minha vida daqui pra frente.
  Dona Paula ficou com Dag em outro sala, ela estava muito abatida e teve que tomar uns remédios fortes. Roberval me mandou uma mensagem dizendo que já estava voltando com a banda, contei a ele o que aconteceu que ficou abalado também.
  _Luan não quer comer alguma coisa? - Dag sentou ao meu lado colocando a mão sobre meu ombro.
  _To sem fome
  _Luan você não dormiu e nem dormiu. Já fiz uma reserva no hotel, vai pra lá descansar um pouco.
  _Não quero, vou ficar aqui. Quero saber alguma sobre a Luna - meus olhos ameaçaram chorar.
  _Ai Luan - ela me deitou em seu colo afagando meu cabelo - Fica calmo, não sabemos quando mas ela vai acordar sim. Mas até lá você tem que se cuidar também, pra receber a Luna de braços abertos.
  _Ta bom - me levantei ficando de pé - Eu vou mas volto rápido.
  _Sendo assim, vou ligar para os seus pais também, era pra você estar lá e até agora nenhuma notícia, devem estar preocupados.
  _Verdade, esqueci. Liga pra eles, vou nessa, daqui a pouco to aqui.
  _Vai lá - me deu um beijo na testa.
  Sai pelos fundos, peguei um táxi escondido e fui para o endereço que Dag me deu. Cheguei no hotel e já estava feita a reserva, subi para o quarto, tomei um banho e pedi alguma coisa pra comer.
  Meu plano era voltar pro hospital rápido, mas quando acabei de comer me bateu um sono forte e não resisti, desabei na cama, apaguei geral.
  Acordei assustado, e custei recuperar os sentidos. Me lembrei de voltar ao hospital, olhei no celular e já se passava das cinco da tarde, droga! Dormi demais.
  Vesti uma roupa correndo, peguei meu celular e coloquei um boné, quando saí do quarto vi o Cirilo parado de frente a porta do quarto.
  _Cirilo? Já chegaram? - perguntei.
  _Sim, a mais ou menos uma hora atrás. O restante da equipe e da banda já passaram no hospital e agora estão indo pra casa, disseram que logo virão fazer uma visita a Luna. Sinto muito Luan.
  _Obrigado - baixei o olhar - E os meus pais?
  _Estão no hospital - fomos andando e conversando - E ficarão hospedado aqui no hotel também.
  _Ok.
  Descemos para o estacionamento, entramos no carro e fomos para o hospital. Quando entrei vi minha mãe, meu pai e Bruna. Não aguentei e corri até ela.
  _Ai mãe - ela me abraçou forte como nunca, só o abraço de minha mãe pra me acalmar.
  _Vai ficar tudo bem meu filho, ela vai sair dessa. E você? Como ta?
  _To mal né.
  _Vai dar tudo certo, Deus ta tomando conta dela - meu pai também me abraçou.
  _É maninho, a Luna é uma garota forte, daqui a pouco tai brincando e sorrindo - Bruna tentou me animar.
  _Valeu gente. Cadê a Paula? - perguntei olhando em volta.
  _Ela foi pra casa descansar também, daqui a pouco está aqui - respondeu Dagmar vindo até nós.
  _Ta bom.
  Depois de uma meia-hora vi Paula entrar na sala, sorri mas logo meu sorriso se desmanchou, vi Vitor entrar logo atrás dela. Fechei a cara e o olhei sério que me encarou também.
  _O que esse cara ta fazendo aqui? - nos encaramos.
  _Luan! Que isso meu filho? - Meu pai me repreendeu.
  _Foi esse daí que levou a Luna pra essa maldita festa, e ainda deixou ela voltar sozinha debaixo de chuva - alterei a voz.
  _Não foi minha culpa - se defendeu - A Luna quis ir embora e deixei porque eu tava bêbado, não podia dirigir.
  _Ah bêbado? - ri irônico - Tinha que ser. Mas isso não justifica nada, você era responsável por ela.
  _Já disse que não foi minha culpa. Ou você acha que também não to triste? Tudo o que eu quero é a Luna bem, jamais faria mal a ela - senti verdade nas suas palavras.
  _Ta, foi mal cara. É que eu to preocupado - suspirei me sentando no sofá.
  _Sei como se sente - disse baixo.
  _Não foi culpa de ninguém - disse Paula - Agora é só não perder as esperanças.
  Continuamos ali em silêncio, eu me sentia incomodado com a presença do Vitor. Uai querem o que? Ele também gosta, e até demais, da Luna, da minha Luninha. E eu me sinto inseguro com essa aproximação, tenho certo medo.
  Mas mudando de assunto, o médico veio até a gente e disse que poderíamos vê-la. Meu coração saltou no peito. Primeiro foram Paula e minha mãe, ficaram um curto tempo lá dentro, as duas se abraçavam e Paula chorava.
  Depois foi a vez do meu pai e Bruna, e em seguida minha vez e de Vitor. Fomos andando calados por um corredor branco e iluminado, estava frio, mas não o ambiente, mas sim a minha espinha. Chegamos em frente ao seu quarto, Vitor abriu a porta devagar. Levantei o olhar e a vi sobre a cama, cheia de aparelhos. Caminhei até ao lado dela e Vitor se pôs do outro.
  Seus olhos fechados e seu corpo imóvel me deixou agoniado. Sua pele tinha os rastros do acidente. Machucados, escoriações, hematomas.
  Segurei sua mão que estava fria, meu peito se apertou e senti dor. Olhei para Vitor que estava com a mesma expressão que a minha. Uma enfermeira entrou nos pedindo para sair, soltei a mão dela e lhe dei um beijo na testa me despedindo.
  _Ela vai sair dessa - Vitor disse andando a minha frente, não disse nada, não havia o que dizer.
  Os dias se seguiram assim, sem nenhuma mudança.
CONTINUA...

  Desculpa pelo capítulo pequeno, mas eu quero ir dividindo pra chegar até onde eu quero. No final vcs vão gostar.

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